O tio do namorado da filha que o Passos Coelho teve com a moça das Doce

Um título deste tamanho é um disparate.

O autocarro 701 pára em Campo de Ourique. O 742 passa perto de Campe d’Órique. Corre, aos solavancos, a rua Maria Pia. Entre as 9h e as 11h tem pelo menos um passageiro frequente.

Eu cheguei a beber dez copos de leite ao pequeno-almoço. Pergunta à minha madrinha, a ver se não é verdade.

Viaja de costas, sentado a três passos do motorista. É a primeira vez que o vejo acompanhado. Imagino que a mulher seja amiga da madrinha, a mulher que sabe bem que ele chegava a beber dez copos de leite ao pequeno-almoço. O homem veste uma camisola de manga curta do Sporting e usa óculos de sol espelhados. Ao pescoço tem um cachecol da selecção, cruzado, preso com um alfinete-de-ama. Tem sempre um boné fluorescente e um relógio dourado. Talvez ainda não tenha 50 anos.

O meu sobrinho ‘tá bom. Namora com a filha que o Passos Coelho teve com a moça que era das Doce. Estou convidado para o casamento. Quando houver casamento. Mas vai haver.

E ele há-de ser convidado, tem a certeza. Porque eles hão-de casar, que aquilo é a sério.

Usam alianças de comprometidos. O meu sobrinho até ofereceu ao sogro – que ainda não é mesmo sogro – uma garrafa de vinho do Porto.

Isto foi pelo Natal. Com uma prenda destas, o namoro só pode ser sério. E se o sobrinho lhe conta estas coisas, é porque vai convidá-lo para o casamento. Nessa altura, o tio não vai ser apanhado desprevenido: tem esta roupa aprimorada para todos os dias, mas já pôs de lado uma ainda melhor para a boda – jamais iria de calções. Tomara que haja copos de leite no bufê.